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Pensar positivo afeta a estrutura do seu cérebro

Já ouviu falar que a sua mente pode mover montanhas? Ou que você poderia se tornar um ímã e atrair tudo que desejasse apenas com o poder do pensamento? Antes de continuar, eu quero que você se imagine caminhando numa praia deserta. O pôr do sol tranquilo refletindo na água quente e transparente só é atrapalhado pelo barulho das ondas e do vento nas folhas de palmeiras. Deu uma relaxada só de imaginar essa cena?  Ótimo! Porque o assunto de hoje é “pensamento positivo”.

De físicos a líderes religiosos, passando por médicas e gurus da autoajuda, muitos afirmam: positividade faz bem, e muito! Mas será que pensar positivo realmente faz bem? Antes de responder essas perguntas, precisamos saber um pouco sobre como nossa mente funciona.

Segundo o pesquisador Frederico Azevedo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em artigo publicado no The Journal of Comparative Neurology, em 2009, o cérebro humano é composto por mais ou menos 86 bilhões de neurônios e cada um é ligado por mais de mil conexões sinápticas!

Maaas… conexão sináptica, o que isso quer dizer exatamente? Vamos usar um pouquinho de Fisiologia Básica pra te explicar melhor:

Neurônios são células responsáveis por transmitir impulsos nervosos, que são sinais enviados de um neurônio para outro ou para outras células do nosso corpo. Os neurônios têm a capacidade de estabelecer conexões quando recebem estes sinais, seja por estímulos do próprio organismo ou do ambiente externo. Alguns desses sinais são elétricos, mas pode ficar tranquilo! Seu cérebro não vai entrar em curto circuito!

A comunicação entre neurônios ou entre neurônios e outras células acontece nas sinapses, em um espaço chamado fenda sináptica. Para transmitir informações, os neurônios lançam substâncias químicas chamadas neurotransmissores que atravessam essa fenda e tem a capacidade de produzir reações no nosso corpo.

Tá… Mas onde que o pensamento positivo entra no meio dessa história? Sem que possamos prever ou controlar, quando recebemos algum tipo de sinal – que pode ser disparado através do pensamento – o nosso corpo produz respostas hormonais relacionadas, por exemplo, às sensações de bem-estar ou de estresse!

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Pensar negativo faz mal

Então quer dizer que pensar negativamente faz mal? Depende! Nas situações em que identificamos um risco ou uma ameaça, um tipo específico de mecanismo entra em ação, chamado sistema nervoso simpático, estimulando as glândulas suprarrenais que agem na secreção dos hormônios adrenalina, noradrenalina e dopamina.

Chamamos esse mecanismo de “Reação de Fuga ou Luta”, e ele está relacionado com nossos instintos de proteção. Quando os níveis desses hormônios aumentam, entramos em estado de alerta! O coração bate mais depressa, a respiração se torna mais rápida e a pressão arterial aumenta!

Em momentos estressantes do cotidiano, como dirigir em um trânsito congestionado, fazer uma prova ou participar de uma competição esportiva, o estado de alerta é muito importante! O pessimismo neste caso estaria relacionado com o medo do fracasso ou com a antecipação de situações arriscadas, nos deixando mais preparados para enfrentar estas situações!

O problema é quando estamos nos estressando o tempo todo! Segundo a Associação Americana de Psicologia,
quando isso acontece, o córtex das glândulas suprarrenais dispara a produção do hormônio cortisol, que em situações de estresse prolongado, pode desencadear processos que acabam contribuindo para a diminuição da
ação do sistema imunológico e então podemos ficar mais propensos a adoecer.

Níveis muito altos de cortisol afetam também a parte do cérebro responsável pela memória e pelo aprendizado, nos deixando irritados e esquecidos! Uma outra explicação científica sobre o quanto o pessimismo e as emoções negativas podem fazer mal é defendida pelo cientista da computação Steven Parton.

Ele sugere que a negatividade e o hábito de reclamar alteram fisicamente a estrutura do cérebro, nos ajudando a entender por que algumas pessoas parecem não conseguir sair de um estado negativo. Imagine quatro pessoas, divididas em duplas, jogando bolas umas para as outras. Uma dupla está a 10m uma da outra e a outra dupla está a 100m uma da outra.

Da mesma forma funcionam os nossos pensamentos. Quando pensamos, as sinapses se aproximam para diminuir a distância que o impulso elétrico precisa percorrer. Desta forma, o cérebro teria a capacidade criar conexões com base em tudo a que é exposto muitas vezes, alterando a sua forma física para facilitar a transmissão do pensamento.  Então se temos um pensamento recorrente, fica mais fácil e mais provável que ele aconteça novamente.

Funciona como se a dupla que pegou a bola primeiro pudesse dar um passo a frente na próxima rodada, fazendo com que a chance de pegarem a bola primeiro outra vez seja ainda maior! A boa notícia é que também funciona com os pensamentos positivos!

Médicos dos departamentos de psiquiatria e cardiologia da Harvard Medical School, apontam que o estado de ânimo pode influenciar o nosso organismo de várias formas. Um destes estudos de janeiro de 2016, publicado pela Associação Americana do Coração buscou averiguar a correlação entre o senso de otimismo, o senso de gratidão e o nível de novas internações hospitalares em 164 pacientes com quadro clínico de Síndrome Coronariana Aguda que passaram por internação anterior.

Através de testes, da Escala de Atividade Física e entrevistas de avaliação, o estudo apontou que os pacientes que sinalizaram maior otimismo apresentaram maior índice de prática de atividade física e menores taxas de hospitalização durante os seis meses seguintes ao estudo, se comparados aos pacientes com maior senso de gratidão.

Por que essa diferença? Os autores acreditam que o sentimento de gratidão é centrado no passado e pode ter menos efeito sobre o comportamento futuro que o senso de otimismo. Por outro lado, o otimismo poderia ​​ser uma ação mais centrada em fatores cognitivos e na sensação de que se pode fazer algo para alcançar uma meta, possibilitando atitudes positivas no comportamento e no compromisso com a própria saúde.

Ou seja: pessoas com disposição para ver o lado positivo da vida tendem a cuidar mais da saúde, praticar exercícios e se alimentar melhor.

Afinal de contas, pensar positivo funciona? Sim, existe poder no pensamento positivo! Você não vai jogar bola como a Marta nem quebrar recordes como o Usain Bolt só pensando positivamente. Mas emoções positivas estão associadas com a melhora na saúde e com as sensações de vitalidade e bem-estar! Por outro lado, a raiva crônica, a preocupação excessiva e a hostilidade são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças.

No entanto, essa positividade é mais natural para algumas pessoas, enquanto outras precisam aprender a pensar e agir de modo mais otimista.

 

Então como podemos desenvolver essa forma de pensar?

Segundo o departamento de psicologia da Universidade de Harvard, a psicologia positiva indica várias rotas para a felicidade:

Sentir-se bem: Buscando emoções prazerosas e sensações.
Engajar-se totalmente: Com os objetivos e com atividades que envolvem você plenamente.
Fazer o bem: Buscar na sua vida um significado fora de si próprio, desenvolvendo a sua empatia.
Expressar gratidão: Expressando apreço por aquilo que você tem em sua vida.
Apreciar cada experiência: Focando a atenção no prazer, em como ele ocorre, compartilhando e apreciando cada experiência de modo consciente.
Ser consciente: Centrando a sua atenção sobre o que está acontecendo no momento e trabalhando a aceitação sem julgamentos.
Ter auto-compaixão: Buscando consolo quando necessário, dedicando tempo para cuidar de si mesmo, para motivar-se e para tentar novamente.

 

Comment ( 1 )

  1. ReplyDri Siqueira
    Eu sempre pensei positivo pra melhorar as coisas na minha vida. Por enquanto não tá dando muito certo, mas vou continuar pensando positivo.

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